Autoridades do Brasil e da China devem se reunir ainda neste mês para discutir os procedimentos de inspeção sanitária aplicados à soja brasileira exportada para o país asiático. O encontro ocorre em meio a divergências sobre novas exigências de fiscalização que impactaram o fluxo de negociações no mercado.
A delegação brasileira será formada por representantes da área de Defesa Agropecuária, do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e do Departamento de Sanidade Vegetal. O objetivo da reunião com autoridades da Administração Geral das Alfândegas da China é alinhar protocolos sanitários e procedimentos de controle nas exportações.
A discussão ganhou força após a multinacional Cargill suspender temporariamente embarques de soja destinados à China. A empresa argumentou que encontrou dificuldades para atender às novas exigências de inspeção estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, contestou a justificativa e afirmou que as mudanças nas regras já vinham sendo discutidas com as empresas do setor antes de entrarem em vigor.
Enquanto a situação não é resolvida, o mercado registra redução na liquidez. Analistas apontam que várias tradings deixaram de divulgar referências de preços no mercado interno nesta semana, o que diminuiu o ritmo de negociações.
Dados do setor indicam que apenas cinco navios com soja foram negociados entre Brasil e China durante a semana no modelo custo e frete, número considerado baixo. O volume ficou abaixo inclusive do registrado no período do Ano Novo Lunar, quando as negociações costumam ser reduzidas.
Especialistas alertam que, caso a situação se prolongue, pode haver impacto na cadeia produtiva chinesa, especialmente no setor de suinocultura, que depende do farelo de soja para alimentação animal.
Representantes do agronegócio também apontam dificuldades relacionadas à implementação das novas exigências no Brasil, destacando que a atuação do poder público no processo de inspeção pode gerar atrasos na liberação das cargas destinadas à exportação.
Além da Cargill, outras grandes empresas do setor reduziram a participação nas negociações recentes, o que tem ampliado a preocupação entre produtores e operadores do mercado.
Apesar das incertezas, o volume de exportações brasileiras segue elevado. Até agora, cerca de 27 milhões de toneladas de soja já foram comprometidas para embarque ao exterior, número 25% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e 44% acima da média dos últimos cinco anos.
A programação de embarques também apresenta crescimento. O volume previsto se aproxima de 15 milhões de toneladas, considerado um recorde histórico para este período do ano. O número representa aumento de 8% em relação ao ano passado e de cerca de 20% quando comparado à média dos últimos cinco anos.

