O procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), solicitou o afastamento cautelar do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann. O pedido foi apresentado em uma representação que aponta possíveis irregularidades na gestão de recursos do órgão.
No documento, datado de 19 de fevereiro, o procurador menciona “irregularidades consistentes na gestão de recursos”, além de possíveis violações a princípios constitucionais e legais. A representação também destaca preocupações com a credibilidade do instituto.
Entre os pontos citados estão mudanças na equipe responsável pelas Contas Nacionais, área encarregada do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), além da criação da Fundação IBGE+ e decisões administrativas que, segundo o procurador, poderiam comprometer a autonomia técnica do órgão.
A representação também menciona um ambiente de tensão institucional às vésperas da divulgação do resultado do PIB de 2025, apresentado no dia 3 de março. Em janeiro, a direção do IBGE anunciou mudanças no comando do departamento de Contas Nacionais, com a saída da economista Rebeca Palis, substituída por Ricardo Montes de Moraes, servidor do instituto desde 2005.
Apesar da mudança na chefia do departamento, Rebeca Palis foi responsável pela apresentação pública dos dados divulgados na semana passada.
Segundo informações do gabinete do procurador, a área técnica do MPTCU já elaborou um posicionamento sobre o caso, mas o conteúdo só deverá ser divulgado após a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).
Procurada para comentar o pedido de afastamento, a assessoria de imprensa do IBGE não se manifestou até o momento.

