Engana-se quem pensa diferente.
O sistema político nacional, trabalhado cuidadosamente através da coalizão, faz com que os descendentes sejam prioridade na alternância do poder, a cada dois anos de eleições. É um modelo que todos conhecem, muitos criticam, mas poucos têm coragem de contrariar, seja nas urnas ou no posicionamento.
Em Alagoas, por exemplo, praticamente todos os políticos no exercício do mandato, são fruto desse modelo. E muitos que irão às urnas em outubro, também. Juridicamente essa estratégia familiar não é crime. Assim como é “normal” que adversários se juntem, pelo bem e sobrevivência política (deles).
Historicamente, os eleitores de Maceió pensam diferente do eleitorado do Estado, independente de quem sejam os candidatos, majoritários e proporcionais. Assim, com o passar dos anos, Maceió foi acertando e errando em suas escolhas e a maioria dos municípios apenas fazendo rodízio dos mesmos. Talvez aí esteja um dos motivos de termos mais de 80 municípios que só estão produzindo descentes pela dependência do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Em Alagoas, a Harvard da política nacional, quem tentar compreender os motivos das alianças e desavenças corre o risco de escrever, falar ou pensar besteira. Lembra do que disse o polímata Enéas Carneiro: “Quem acha não sabe nada e quem tem certeza é doido. É preciso ter convicção”. É aí onde escreverei o que poucos imaginam saber e eu cravo como convicção: A única oposição em Alagoas é a de Arthur Lira com Renan, e vice-versa. Mas… essa premissa, que é pessoal, não quer dizer que um não precise do outro para vencer. Kkk (pode rir). Arthur e Renan são os políticos alagoanos mais fortes em Brasília e são, pelo poder que conquistaram, os com mais rejeição. É aí onde direi o que não se ouviu por aí: Renan, em sua batalha mais difícil, enfrenta o peso da política do cansaço. E Arthur, pelo bombardeio que recebe do seu único e sagaz adversário, vira alvo fácil para o eleitorado (que não é esclarecido e come mosca pelo que houve ou vê pela mídia e rede social).
Com as indefinições das candidaturas ao Governo e Senado, Alfredo Gaspar e Davi Davino Filho, quase que totalmente sem base política na capital e no Estado, passam a ter chance e esperança (nesta ordem). Renan, aos 70 aos, é candidato e vitorioso ao Senado desde 1995, quando Arthur Lira, que está como deputado federal desde 2011, era vereador por Maceió.
Os dois têm muito em comum, ainda que não aceitem qualquer comparação. Mas vamos lá: são advogados não praticantes do direito, são exitosos na política nacional, um não gosta do outro, nem se dispõem para um singelo aperto de mão, mas ambos dependem do outro nesta disputa que se apresenta (e pelos simples motivos: têm os mesmos fiadores – os prefeitos e lideranças – e praticamente a mesma rejeição. Com os dois na disputa, este item (a rejeição) fica dividido, e é aí onde os únicos opositores de “verdade” se encontram (no imaginário).
Apolítica nos ensina a não descartar nem uma possibilidade. Assim, independente do que JHC decidir sobre seu futuro com Arthur, ele tem a capacidade de mudar de cor. O mesmo para Renan, em seu último voo para o Senado.
Fonte: Wadson Regis

