A Força Aérea Brasileira (FAB) decidiu classificar como “reservados”, por um período de cinco anos, os custos do voo que transportou o presidente da Câmara, Hugo Motta, para passar o Réveillon em Angra dos Reis (RJ). A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, com base em pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação (LAI).
A viagem ocorreu em 26 de dezembro, com saída de João Pessoa (PB) e desembarque no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Ao todo, 11 pessoas estavam a bordo da aeronave da FAB. A Aeronáutica informou apenas que as diárias da tripulação somaram R$ 1,58 mil, sem detalhar o custo total da operação.
A lista de passageiros também foi mantida sob sigilo. A Câmara dos Deputados alegou razões de segurança para não divulgar os nomes — justificativa comum em deslocamentos de autoridades. Ainda assim, a falta de transparência gerou críticas quanto ao uso de aeronaves oficiais em compromissos de caráter privado.
O caso motivou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU), que poderá avaliar a legalidade da classificação do sigilo e a eventual divulgação dos passageiros. Embora o uso de aviões da FAB seja permitido mediante justificativa de segurança, situações como essa costumam reacender o debate sobre gastos públicos e os limites entre agenda institucional e interesses pessoais.

