Um levantamento recente do Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol) revela que parte significativa da alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) segue atuando fora do sistema prisional. De acordo com o organograma mais atualizado da facção, 37 dos 89 integrantes efetivos da liderança estão em liberdade, foragidos ou sem mandado de prisão em vigor.
Os dados indicam que 42% dos principais nomes mapeados pelas autoridades exercem funções “presencialmente” nas ruas, coordenando atividades da organização criminosa. Outros 52 líderes estão encarcerados, mas, segundo a investigação, continuam influenciando decisões e operações — especialmente no tráfico de drogas, apontado como a principal fonte de receita do grupo.
O organograma completo reúne 100 nomes. Desse total, cinco são classificados como “decretados”, ou seja, expulsos da facção e jurados de morte após conflitos internos. Outros seis aparecem como colaboradores ou associados, atuando em apoio à organização, seja no tráfico ou na lavagem de dinheiro, mas sem terem passado pelo chamado “batismo” formal.
Conforme a Polícia Civil, os 89 integrantes considerados oficiais se dividem entre 52 presos e 37 soltos. O levantamento destaca que, apesar de uma parcela relevante da liderança estar no sistema penitenciário, quase metade dos principais integrantes permanece fora das grades.
A estrutura da organização segue centralizada em um núcleo formal de liderança, tendo como principal nome Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC. Ele cumpre pena em regime de segurança máxima no Sistema Penitenciário Federal.
Abaixo de Marcola, na chamada “sintonia final”, aparecem outros 14 nomes. Parte deles está presa em unidades federais, entre eles Cláudio Barbará da Silva, conhecido como Barbará; Almir Rodrigues da Silva, o Nenê do Simone; Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal; e Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola.
O relatório reforça que, mesmo diante da atuação das forças de segurança, a facção mantém uma estrutura organizada, com comando definido e presença significativa fora do sistema prisional.

