O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (9), o início da vacinação contra a dengue em todo o país, com foco inicial nos profissionais de saúde da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS). A campanha marca a incorporação da vacina Butantan-DV ao sistema público, imunizante de dose única desenvolvido no Brasil e eficaz contra os quatro sorotipos da doença.
O anúncio foi feito durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Instituto Butantan, em São Paulo. A vacina, aprovada pela Anvisa em novembro de 2025, é a primeira do mundo em dose única com essa abrangência. À CNN Brasil, o médico Roberto Kalil classificou o momento como “histórico” e destacou o fato de o imunizante ser resultado da ciência nacional.
Para viabilizar a campanha, o Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses. Até agora, 1,3 milhão já foram entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), destinadas à primeira fase da vacinação. A expectativa é ampliar gradualmente a cobertura ao longo do ano.
Segundo o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, a vacina é fruto de 15 anos de pesquisa e chega em um momento simbólico, quando a instituição completa 125 anos. Ele informou que a produção deve alcançar até 25 milhões de doses até o fim de 2026 e ressaltou que a imunização já vinha sendo testada em municípios de São Paulo, Ceará e Minas Gerais.
Durante o evento, profissionais de saúde, pesquisadores e agentes comunitários foram os primeiros a receber a vacina, dando início oficial à campanha. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os trabalhadores cadastrados nas unidades básicas começarão a ser imunizados imediatamente.
Além do lançamento da vacinação contra a dengue, o governo anunciou um pacote de investimentos de R$ 1,8 bilhão para modernizar e ampliar a capacidade produtiva do Instituto Butantan. Os recursos serão aplicados na construção e reforma de unidades voltadas à produção de vacinas contra HPV, DTPa, tecnologias de mRNA e ampliação da fabricação de soros, como parte da estratégia de fortalecimento do SUS e da redução da dependência externa de insumos biológicos.

