Até o dezembro de 2025, ninguém poderia imaginar que o PT se movimentaria para montar chapa competitiva para a Câmara dos Deputados em Alagoas. O único deputado federal da legenda no Estado, Paulão, tinha planos de disputar o Senado. Mudou de rumo em janeiro, após pedido do presidente Lula. Faltando menos de três meses para o prazo final de filiação partidária (4 de abril), a “bomba” caiu no colo do presidente da executiva regional, o deputado estadual Ronaldo Medeiros.
Um mês depois, a “bomba” começou a ser desarmada. E o PT de Alagoas pode fazer agora algo inédito, que nem mesmo o grupo de Paulão conseguiu quando estava no comando do diretório do partido no Estado: montar uma chapa de federal competitiva, com condições de eleger de um a dois deputados.
Mais que isso, a estratégia pode começar a se desenhar antes mesmo do prazo final de filiação partidária. Ronaldo Medeiros, confirmou ao blog do Edivaldo Junior que convidou o deputado federal Daniel Barbosa (PP) para se filiar ao PT. A movimentação, explica, faz parte da estratégia de montar chapa com os outros partidos da Federação para a Câmara dos Deputados.
“Fiz o convite ao Daniel pelo histórico dele e de seu pai, o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa. Além de serem reconhecidamente democratas e progressistas, o Daniel sempre esteve ao lado do governo Lula. Mais de 80% dos seus votos são a favor do governo”, afirma Medeiros.
Segundo ele, a presença de Daniel fortaleceria o projeto eleitoral do partido. “Junto com Paulão e os outros nomes que estamos confirmando, teremos condições de montar uma chapa para fazer uma vaga e disputar a segunda. Para isso, vamos em busca do apoio de aliados”, adianta.
O convite, diz o dirigente, já foi feito. Falta agora a resposta de Daniel Barbosa.
Mudança no cenário
A movimentação ocorre em um contexto bem diferente daquele que garantiu a eleição do deputado federal Paulão em 2022. Naquele pleito, o PT só conseguiu a vaga graças à federação com o PV, que levou para a chapa o então deputado federal Luciano Amaral e outros nomes articulados pelo grupo do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor.
Dos dez candidatos da federação, oito eram do PV e apenas dois do PT. Sem os votos do aliado, a eleição de Paulão seria impossível.
O cenário mudou. O grupo de Luciano Amaral e Marcelo Victor migrou para o PSD, deixando o PT com o desafio de montar uma chapa própria em um prazo apertado. O prazo final para filiação partidária será em 4 abril, restando pouco menos de dois meses para a formação do grupo.
O problema se agravou porque Paulão, que pretendia disputar o Senado, só decidiu concorrer à reeleição no início de janeiro, após apelo do presidente Lula, como o blog revelou anteriormente.
Corrida contra o tempo
Desde então, Medeiros tem intensificado reuniões e conversas em busca de nomes viáveis para a chapa. Além de Paulão, pelo menos quatro pré-candidatos já estariam definidos, enquanto outros seguem em negociação.
O convite a Daniel Barbosa é um passo importante nesse processo. Caso aceite, o deputado passaria a ter, além do PP, uma alternativa para renovar o mandato por um partido mais alinhado ao seu posicionamento político e ideológico.
Se a filiação se concretizar, o PT pode entrar na disputa com chances reais de manter e até ampliar sua representação federal.
Resta saber se Daniel aceitará o convite — e como o novo desenho será recebido dentro do próprio partido e, claro, pelo deputado federal Paulão. Mas essa já é outra história.
Fonte: Blog do Edvaldo Jr

