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    Home»BRASIL»Com foco em consignados e no caso Master, CPMI ouve presidente do INSS
    BRASIL

    Com foco em consignados e no caso Master, CPMI ouve presidente do INSS

    2026-02-05T09:14:11-03:000000001128202602

    A CPMI que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retoma os trabalhos nesta quinta-feira (5), com atenção voltada para empréstimos consignados oferecidos por instituições financeiras, entre elas o Banco Master, alvo de controvérsias recentes.

    Na agenda da comissão, está a oitiva do atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, convocado para prestar esclarecimentos sobre a atuação do órgão e a relação com os contratos de crédito consignado.

    Nos bastidores, integrantes do colegiado avaliam redirecionar os debates para o caso envolvendo o Banco Master, numa tentativa de ampliar a visibilidade da CPMI, que teve desempenho considerado discreto ao longo de 2025.

    Diante do avanço das investigações, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), colocou em deliberação dois requerimentos que pedem a quebra dos sigilos fiscal e bancário do Banco Master.

    As solicitações, apresentadas por parlamentares do partido Novo, buscam acesso detalhado às movimentações financeiras da instituição, incluindo contas, investimentos e patrimônios. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), já havia indicado que diversas instituições financeiras estão sob suspeita e afirmou que o caso do Banco Master fará parte do relatório final.

    A volta da CPMI do INSS vai mirar no Banco Master

    • CPMI do INSS retoma trabalhos focada em empréstimos consignados, com atenção ao Banco Master, alvo de polêmica;
    • Senador Carlos Viana leva à votação dois pedidos de quebra de sigilo fiscal e bancário do Master, apresentados por parlamentares do Novo;
    • Requerimentos buscam detalhar contas, investimentos e patrimônio do banco, para subsidiar análises e conclusões técnicas da comissão;
    • Presidente do INSS, Gilberto Waller, será ouvido; bloqueio de R$ 2 bilhões em consignados do Master afeta mais de 250 mil contratos.

    Oitiva

    Na próxima etapa da investigação, a comissão dará início à fase de oitivas, tendo como primeiro convocado o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.

    Nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 30 de abril de 2025, Waller é servidor de carreira da Advocacia-Geral da União e assumiu o comando do instituto em meio ao avanço das apurações sobre irregularidades em empréstimos consignados.

    Em declaração divulgada pela coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles, o presidente do INSS afirmou ter participado de uma reunião virtual com o liquidante e dois diretores do Banco Master para tratar das suspeitas levantadas.

    Segundo Waller, durante o encontro o INSS apresentou as irregularidades identificadas e informou que o banco será oficialmente notificado, tendo um prazo de 15 dias para comprovar que não houve problemas. Ele destacou que a reunião foi um primeiro contato e que os representantes da instituição demonstraram disposição para resolver a situação.

    O dirigente do INSS acrescentou que, caso o Banco Master não apresente esclarecimentos dentro do prazo estipulado, o contrato poderá ser rescindido. Ele também confirmou que os repasses de empréstimos consignados da instituição já foram bloqueados, envolvendo cerca de R$ 2 bilhões e mais de 250 mil contratos que seguem sob análise do órgão previdenciário.

    CPMI do INSS

    A revelação do escândalo envolvendo o INSS teve início a partir de uma série de reportagens publicadas pelo portal Metrópoles, ainda em dezembro de 2023.

    Na sequência, cerca de três meses depois, novas matérias mostraram que a arrecadação de entidades que realizavam descontos de mensalidades diretamente nos benefícios de aposentados havia crescido de forma expressiva, alcançando aproximadamente R$ 2 bilhões em apenas um ano.

    Apesar do aumento dos valores movimentados, essas associações passaram a responder a milhares de ações judiciais por suspeitas de fraudes nas filiações de segurados, muitas delas realizadas sem consentimento dos beneficiários.

    O impacto das reportagens levou à abertura de um inquérito pela Polícia Federal e também subsidiou investigações conduzidas pela Controladoria-Geral da União, ampliando o alcance das apurações sobre o esquema.

    Ao todo, 38 reportagens do Metrópoles foram citadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril, ação que resultou nas demissões do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

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