A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmou que o ônibus envolvido na tragédia que vitimou 16 romeiros em São José da Tapera, no Sertão de Alagoas, operava de forma totalmente clandestina. O acidente, ocorrido nesta terça-feira (3), expôs graves irregularidades no veículo de placa JJB3D75, que transportava cerca de 60 passageiros sem qualquer autorização oficial dos órgãos reguladores.
Segundo o levantamento técnico da ANTT, o coletivo não possuía registro para realizar transporte interestadual ou intermunicipal. Além da falta de habilitação, o veículo circulava sem o Certificado de Segurança Veicular (CSV) e não contava com seguro de responsabilidade civil vigente, o que deixa as famílias das vítimas desamparadas quanto às coberturas obrigatórias. Também não havia Licença de Viagem (LV) para o deslocamento específico realizado pelos romeiros.
O acidente em São José da Tapera é um dos mais graves registrados nas rodovias alagoanas nos últimos anos. A Polícia Civil de Alagoas (PC/AL) já instaurou inquérito para apurar as causas mecânicas ou humanas do sinistro, enquanto a ANTT reforçou que mantém fiscalizações contínuas para combater o transporte pirata, que coloca em risco a vida de milhares de brasileiros diariamente pela falta de manutenção e protocolos de segurança.
A agência orienta que passageiros sempre verifiquem a regularidade das empresas e dos veículos por meio dos canais oficiais antes de embarcar em viagens de turismo ou romaria. No momento, equipes de assistência social e saúde do Estado trabalham no suporte aos sobreviventes e na identificação dos corpos, enquanto o cenário de dor mobiliza todo o Sertão alagoano.

