A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou, neste sábado (31), uma carta aberta à Rede Globo expressando profunda preocupação com as dinâmicas do Big Brother Brasil 2026. O órgão, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, afirma que o uso do “quarto branco” e outras provas de resistência extrema “induzem à tortura” e banalizam sofrimentos históricos.
No documento, representantes da comissão argumentam que o enclausuramento, a privação de sono, a desorientação espacial e sonora, além da perda da noção de tempo impostas aos participantes, guardam semelhanças com métodos utilizados pelo Estado durante a ditadura militar brasileira. “É impossível ignorar que tais métodos guardam uma semelhança aterradora com práticas de tortura empregadas sistematicamente”, diz um trecho da carta, que ressalta o perigo de transformar esse sofrimento em espetáculo para milhões de pessoas.
A CEMDP fundamenta suas críticas no Artigo 5º da Constituição Federal, que proíbe tratamentos degradantes, e no Artigo 221, que estabelece a finalidade educativa e ética das concessões públicas de radiodifusão. A organização pede que a emissora reveja essas práticas e provoca a sociedade a refletir sobre a “dessensibilização” diante da dor alheia em nome do entretenimento.
Até o momento, a TV Globo não se manifestou oficialmente sobre o teor da carta. O episódio ocorre em meio a uma temporada já marcada por críticas internacionais; recentemente, canais estrangeiros também compararam as provas de resistência do BBB 26 a ambientes de tortura. A Comissão reforça que a memória das vítimas da violência de Estado exige que o país não normalize condições que atentem contra a dignidade humana.

