Durante agenda oficial em Maceió, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o que classificou como “golpe” relacionado ao Banco Master, destacou a entrega de novas moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, recebeu apoio público do prefeito JHC e afirmou que 2026 será um período de comparação e esclarecimento para a população.
No discurso, o presidente relembrou passagens pessoais de sua trajetória para reforçar a importância das políticas públicas voltadas ao combate à pobreza. Lula recordou que já viveu em áreas alagadas e em residências afetadas por enchentes, convivendo com lama, ratos e baratas, experiências que, segundo ele, moldaram sua compreensão de que a dignidade deve ser prioridade do Estado.
Ao tratar do Minha Casa, Minha Vida, o presidente disse sentir orgulho a cada entrega de chaves e ressaltou que o programa representa o maior projeto habitacional da história do país. Lula afirmou que nunca se construiu tantas moradias em tão pouco tempo, com a meta de alcançar 10 milhões de unidades e o compromisso de zerar o déficit habitacional no Brasil. Também explicou a preferência pela titularidade feminina dos imóveis, como forma de garantir segurança às famílias e evitar prejuízos sociais às mulheres.
O presidente mencionou ainda mudanças no padrão dos empreendimentos, como a exigência de bibliotecas nos conjuntos habitacionais e a inclusão de varandas nos prédios, apontadas como símbolos de respeito à dignidade dos beneficiários. “Assumi o compromisso de vir inaugurar e estamos aqui: missão cumprida. É assim que se trata o bem público”, afirmou, ao defender que governar é cuidar de quem mais precisa.
Na área econômica, Lula citou indicadores que, segundo ele, demonstram a reconstrução do país, como a menor inflação acumulada em quatro anos, a menor taxa de desemprego da história, mais de 103 milhões de trabalhadores registrados, melhor distribuição da massa salarial e exportações que somam US$ 628 bilhões. Para o presidente, 2026 será “o ano da verdade”, quando a população poderá comparar os resultados atuais com gestões anteriores.
O tom do discurso ficou mais duro ao abordar denúncias no sistema financeiro. Lula criticou diretamente o caso envolvendo o Banco Master, mencionando um suposto desfalque bilionário. “Não é possível continuar sacrificando o pobre enquanto um cidadão aplica um golpe de dezenas de bilhões de reais”, disse, ao afirmar que fraudes não podem ser normalizadas nem interesses prejudiciais ao país protegidos.
O presidente também alertou que, em ano eleitoral, há risco de disseminação de mentiras nas redes sociais. Ele pediu cautela com informações recebidas pelo celular e afirmou que o Brasil não pode permitir o retorno de governos baseados na desinformação. Lula reforçou a defesa da democracia e da urna eletrônica e disse que continuará nas ruas para impedir que o país volte a ser governado pelo ódio.
Durante o evento, Lula recebeu manifestações de apoio do prefeito JHC, que defendeu menos confronto político e mais cooperação institucional, colocando Maceió à disposição do governo federal para a execução de projetos nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. O gesto foi interpretado como um sinal de aproximação política entre a gestão municipal e o Planalto.
Ao encerrar, o presidente afirmou que seguirá firme na defesa da democracia, da justiça social e da reconstrução do país, ressaltando a necessidade de mais solidariedade, menos desigualdade e políticas públicas que alcancem quem mais precisa.
A agenda presidencial em Maceió contou com a presença dos ministros da Casa Civil, Rui Costa; das Cidades, Jader Filho; dos Transportes, Renan Filho; das Relações Institucionais, Gleisi Hoffman; da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos; além do governador Paulo Dantas (MDB) e dos senadores Dra. Eudócia Caldas (PL) e Fernando Farias (MDB).

