O banqueiro Daniel Vorcaro decidiu não firmar um acordo de delação premiada após avaliar o posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) em outro caso de grande repercussão. A rejeição da proposta apresentada por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, foi determinante para a decisão.
A leitura de Vorcaro é que, assim como ocorreu com o empresário investigado por fraudes na cadeia de combustíveis, a PGR poderia recusar uma eventual colaboração por considerar insuficientes as provas apresentadas, sobretudo diante do amplo relacionamento dos envolvidos com autoridades públicas.
No caso de Beto Louco, políticos de diferentes espectros tinham acesso direto ao empresário, entre eles o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil), e o presidente do partido, Antonio Rueda. Há ainda relatos de que o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli teria viajado em uma aeronave associada ao empresário, apontado como ligado ao PCC. A PGR descartou a delação sob o argumento de ausência de provas materiais, entendendo que apenas o testemunho não seria suficiente. Beto Louco está foragido.
Já Vorcaro mantém relações com figuras do PT, do Centrão e também com integrantes do Judiciário e do Executivo. Ele é investigado por supostas fraudes no sistema financeiro que podem alcançar R$ 12 bilhões. O banqueiro chegou a ficar 11 dias preso, perdeu o controle do Banco Master e, apesar de ter sido solto, segue monitorado por tornozeleira eletrônica.
As apurações se concentram, entre outros pontos, na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, negociação que teria ocorrido sob interferência política. O negócio acabou sendo vetado pelo Banco Central, mesmo após a autoridade monetária ter autorizado inicialmente o início das tratativas.

