Uma possível pane no sistema de freios é apontada como a principal causa do acidente com um ônibus de turismo que saiu de Arapiraca, no Agreste de Alagoas, e resultou na morte de cinco pessoas, incluindo um bebê, na noite desta quarta-feira (21), na BR-251, em um trecho da Serra de Francisco Sá, em Minas Gerais.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo seguia no sentido Salinas–Montes Claros quando enfrentava um trecho de declive com curva e pista molhada por chuvisco. Nesse ponto, o motorista teria perdido o controle após falha na frenagem, fazendo com que o ônibus saísse da pista e tombasse às margens da rodovia.
O Corpo de Bombeiros informou que o coletivo realizava o percurso entre Arapiraca (AL) e Itapema (SC). Nove passageiros ficaram feridos com fraturas e escoriações e foram levados para hospitais em Francisco Sá e Montes Claros. Outras 34 pessoas não sofreram ferimentos graves ou tiveram apenas lesões leves.
Segundo o sargento Isaque da Silva Santos, duas vítimas — um bebê de aproximadamente um ano e uma mulher — foram encontradas fora do veículo. Já os corpos de dois homens e de outra mulher ficaram presos sob o ônibus, sendo retirados após o trabalho da perícia e o destombamento do veículo.
As autoridades informaram ainda que havia três motoristas se revezando na condução do ônibus, mas o condutor que estava ao volante no momento do acidente não foi localizado até o fechamento da ocorrência.
Relatos de passageiros reforçam a suspeita de problemas mecânicos. Um deles, o ajudante de eletricista Enthony da Silva, afirmou que o ônibus já apresentava falhas desde o início da viagem. Segundo o passageiro, os freios traseiros não estariam funcionando adequadamente, fazendo com que o veículo operasse apenas com os freios dianteiros. Ele também relatou que, durante uma parada, apenas os pneus foram inspecionados e que, ao descer a serra, o ônibus perdeu totalmente a capacidade de frenagem.
A Polícia Civil esteve no local e instaurou investigação para apurar as circunstâncias do acidente. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).
Ônibus operava de forma irregular, diz ANTT
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus não tinha autorização para realizar transporte interestadual de passageiros, caracterizando a viagem como clandestina. Segundo o órgão, tanto o veículo quanto a empresa responsável estavam em situação irregular.
Dados da ANTT indicam que o coletivo foi autuado cerca de 30 vezes entre 2025 e 2026 por infrações como fuga de postos de pesagem, irregularidades em itens obrigatórios de segurança e transporte sem autorização. O ônibus também chegou a ser apreendido em outubro de 2025.
A agência reforçou o alerta para que passageiros optem apenas por empresas devidamente autorizadas e informou que a regularidade do transporte pode ser consultada pelo telefone 166.

