Um estudo elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido do Ministério da Cultura, concluiu que os recursos destinados à Lei Rouanet geram um efeito multiplicador relevante na economia brasileira. De acordo com o levantamento, em 2024, cada real aplicado por meio do mecanismo de incentivo retornou R$ 7,59 à sociedade e ao mercado, considerando impactos diretos e indiretos ao longo da cadeia produtiva da cultura.
A análise envolveu mais de 14 mil projetos contemplados entre os anos de 2022 e 2024. No recorte específico de 2024, o levantamento aponta que cerca de 230 mil oportunidades de trabalho foram criadas a partir dos investimentos incentivados, com um custo médio estimado de R$ 12,3 mil por vaga gerada.
Os dados indicam ainda que as iniciativas apoiadas pela Lei Rouanet foram responsáveis por movimentar aproximadamente R$ 25,7 bilhões na economia nacional ao longo de 2024. Esse volume reúne tanto os valores oriundos da renúncia fiscal quanto recursos adicionais obtidos por projetos culturais junto a patrocinadores e parceiros.
O estudo também detalha a pulverização dos pagamentos realizados. Ao todo, foram identificados 567 mil repasses feitos a fornecedores e prestadores de serviços, distribuídos entre mais de 1,8 mil diferentes atividades econômicas. A maioria absoluta dessas transações — 96,9% — ficou abaixo de R$ 25 mil. Além disso, 76,7% dos projetos analisados captaram até R$ 1 milhão, o que evidencia a forte presença de iniciativas de menor porte.
No que diz respeito à distribuição regional dos recursos em 2024, o Sudeste concentrou a maior fatia, com cerca de R$ 18 bilhões. O Sul aparece em seguida, com R$ 4,5 bilhões, enquanto o Nordeste recebeu aproximadamente R$ 1,92 bilhão. Já o Centro-Oeste e o Norte registraram volumes mais modestos, de cerca de R$ 400 milhões e R$ 360 milhões, respectivamente.
Entre 2018 e 2024, todas as regiões brasileiras apresentaram crescimento no número de projetos beneficiados pela lei. O destaque foi o Nordeste, que teve expansão superior a 400%. O Centro-Oeste registrou aumento de 245%, enquanto o Sul apresentou crescimento de 165%.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de suprir a carência de dados consolidados e tornar mais visíveis os impactos econômicos e sociais do incentivo cultural. Segundo ela, o estudo reforça a relevância da Lei Rouanet diante de críticas e da falta de informações atualizadas sobre os resultados efetivos do mecanismo.

