A morte do músico Abdon de Paula Gomes Neto, de 41 anos, continua sendo investigada como homicídio pela Polícia Civil de Alagoas (PCAL). O caso ocorreu entre a noite de sábado (17) e a madrugada de domingo (18), em um prédio no bairro da Jatiúca, em Maceió, e inicialmente chegou a ser tratado como suicídio. Após a perícia, porém, a investigação mudou de direcionamento.
Em depoimento, o principal suspeito, Rudson de França Moura, relatou que estava consumindo bebida alcoólica com Abdon e outras pessoas no apartamento. Segundo ele, a vítima teria misturado álcool com medicamentos, o que teria provocado um comportamento alterado pouco antes da queda do segundo andar do edifício.
O suspeito afirmou ainda que mantinha amizade com Abdon há mais de 20 anos e que havia sido convidado para morar no local. No dia do ocorrido, ele contou que chamou a namorada e a irmã dela para o encontro, ocasião em que o grupo teria ingerido vodka e feito uma refeição. Duas crianças também estavam no apartamento.
De acordo com o relato, Abdon teria apresentado um surto, pegado um punhal e feito ameaças. O suspeito disse que levou um soco e, em reação, quebrou um violão da vítima. Após isso, as mulheres e as crianças teriam deixado o imóvel e, cerca de um minuto e meio depois, Abdon teria se jogado do prédio.
O homem negou que tenha havido luta corporal no momento da queda e afirmou que um vizinho acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Apesar da versão apresentada, a Polícia Civil contesta o depoimento. Segundo a delegada Tacyane Ribeiro, coordenadora da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da capital, a perícia encontrou vestígios incompatíveis com suicídio. O apartamento apresentava sinais de luta corporal, com objetos quebrados e o ambiente desorganizado.
As investigações indicam que a discussão teria sido motivada por ciúmes e que Abdon estava no local acompanhado do suspeito e de duas mulheres. Diante dos elementos coletados, o caso passou a ser tratado como homicídio.
O suspeito foi localizado e preso poucas horas após o crime por equipes da Operação Policial Litorânea Integrada (Oplit). Ele foi levado à Central de Flagrantes, autuado e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil segue apurando o caso para esclarecer a dinâmica dos fatos e as responsabilidades envolvidas.

