O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), em Brasília, não configurava uma “colônia de férias”. A declaração consta em decisão divulgada nesta quinta-feira (15), após sucessivas reclamações apresentadas pela defesa e por familiares do ex-presidente.
Diante das manifestações, Moraes determinou a transferência de Bolsonaro para a Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha.
Na decisão, o ministro destacou que, embora o ex-presidente tenha tido acesso a condições consideradas excepcionais e privilegiadas, isso não descaracteriza o cumprimento da pena. “Essas condições não transformam a execução definitiva da pena de Jair Messias Bolsonaro em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias”, escreveu o magistrado.
Moraes também mencionou críticas feitas por familiares do ex-presidente, que chegaram a comparar a Sala de Estado-Maior a um “cativeiro”. Entre as reclamações citadas estão o tamanho do espaço, as condições do banho de sol, a climatização, o horário de visitas, a procedência da alimentação fornecida pela PF e até pedidos para substituição da televisão por uma smart TV com acesso ao YouTube.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro estava detido na PF desde 22 de novembro de 2025. Na ocasião, ele foi preso preventivamente após tentar violar a tornozeleira eletrônica utilizada durante o cumprimento da prisão domiciliar. Posteriormente, o STF determinou que o ex-presidente permanecesse no mesmo local para o cumprimento da pena, decisão que agora foi revista com a transferência para a unidade militar.

