O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou seis policiais militares da COPES/CAATINGA pelo crime de tortura que resultou na morte de Rogério Almir dos Santos Silva. O caso ocorreu em julho de 2025, em Santana do Ipanema, no Sertão alagoano, durante uma operação que, segundo a denúncia, buscava obter informações sobre o tráfico de drogas através de métodos violentos.
Os policiais denunciados são Ulisses de Souza, Lucas Cruz, José Jeferson Pereira, Pablo Victor, Renan Vitor e John Felipe Rocha. O MPAL solicitou o afastamento imediato dos militares das atividades operacionais para preservar a ordem pública. A versão apresentada pelos agentes — de que a vítima teria passado mal e caído de uma calçada — foi frontalmente desmentida pelo laudo do Instituto Médico Legal (IML).
O documento técnico apontou que a causa da morte foi asfixia por aspiração de sangue, decorrente de lesões internas graves no pescoço e tórax, traumas que o MPAL afirma serem compatíveis com sessões de tortura. Além do laudo, a perícia encontrou manchas de sangue no piso da cozinha da residência, que apresentava sinais de arrombamento. No local da ação, foram apreendidas 200 pedras de crack, mas o Ministério Público ressalta que a suposta prática de crime pela vítima não justifica o uso de violência desproporcional.
Outras duas pessoas que estavam no imóvel também relataram ter sofrido agressões durante a abordagem. Dois policiais que conduziam as viaturas não foram denunciados, pois não entraram na residência e não houve indícios de participação direta nas agressões. O processo agora segue para a Justiça, que deverá decidir sobre o afastamento e o julgamento dos militares envolvidos no trágico episódio.

