O governo da Venezuela anunciou, nesta sexta-feira (9), a retomada das conversas diplomáticas com os Estados Unidos e a expectativa de uma visita de representantes norte-americanos ao país. A decisão foi comunicada pelo chanceler Yván Gil Pinto, ocorrendo em menos de uma semana após a deposição do ex-presidente Nicolás Maduro.
Embora represente um movimento de aproximação com a administração do presidente Donald Trump, a gestão interina de Delcy Rodríguez fundamentou a medida como uma maneira de “lidar” com a captura de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.
“A fim de lidar com essa situação no âmbito do direito internacional e em estrita observância aos princípios da soberania nacional e da diplomacia bolivariana de paz, o governo bolivariano da Venezuela decidiu iniciar um processo diplomático exploratório com o governo dos Estados Unidos da América, visando ao restabelecimento de missões diplomáticas em ambos os países, com o objetivo de abordar as consequências da agressão e do sequestro do Presidente da República e da Primeira-Dama, bem como de definir uma agenda de trabalho de interesse mútuo”, afirma um trecho do documento oficial.
Sem especificar datas, o governo venezuelano informou que uma delegação de diplomatas dos EUA deve chegar ao país para os primeiros entendimentos. Entre os temas previstos está a possível reabertura da embaixada norte-americana em Caracas, fechada desde 2019.
Uma comitiva de representantes do chavismo também será enviada aos Estados Unidos com o mesmo propósito. O Departamento de Estado norte-americano ainda não se manifestou sobre o anúncio.
Relações rompidas há sete anos
A embaixada dos EUA foi fechada há sete anos, após um longo período de tensão diplomática que remonta ao governo do ex-presidente Hugo Chávez.
Na época, Maduro enfrentava fortes críticas internacionais devido à eleição presidencial de 2018 na Venezuela, considerada ilegítima por diversos países. Esse cenário levou a uma escalada de hostilidades entre Caracas e Washington, resultando na expulsão de diplomatas e no fechamento da representação diplomática.
Com o restabelecimento dos canais de diálogo, a nova administração chavista demonstra uma aproximação progressiva com os EUA. O movimento ocorre após declarações do presidente Donald Trump, que afirmou pretender atuar diretamente no novo governo venezuelano e em seu setor petrolífero.

