O papa Leão XIV manifestou sua “profunda preocupação” neste domingo (4) com a escalada de violência na Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Em seu pronunciamento oficial após a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, o pontífice — que é o primeiro papa norte-americano da história — defendeu que a soberania do país sul-americano deve ser respeitada e preservada.
“O bem-estar do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre todas as outras considerações e levar à superação da violência e ao início de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país”, declarou Leão XIV diante de milhares de fiéis, alguns dos quais empunhavam bandeiras da Venezuela. O papa, eleito em maio de 2025 (nascido Robert Prevost, em Chicago), apelou para que o Estado de Direito seja assegurado e os direitos humanos e civis de todos os cidadãos sejam respeitados, com atenção especial aos mais pobres.
A declaração do Vaticano ocorre em um momento de incerteza absoluta em Caracas, onde a vice-presidente Delcy Rodríguez tenta manter o controle administrativo sob o estado de exceção, enquanto Donald Trump afirma que os EUA governarão o país até uma transição de poder. O pontífice evitou críticas diretas ao governo de seu país de origem, mas enfatizou a necessidade de uma solução que evite mais derramamento de sangue e garanta a independência venezuelana.
O papa Leão XIV concluiu sua mensagem pedindo orações à intercessão de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela, e aos beatos José Gregorio Hernández e Irmã Carmen Rendiles. O posicionamento da Santa Sé é visto como um movimento estratégico para tentar mediar um conflito que já mobiliza potências como Rússia e China, além de impactar diretamente a estabilidade política de toda a América Latina.

