As ofensivas norte-americanas na América Latina ganharam novo fôlego sob o segundo mandato de Donald Trump, mas seguem ancoradas em uma lógica histórica: a manutenção da hegemonia dos Estados Unidos sobre sua zona de influência.
Embora Trump adote métodos mais explícitos de pressão, a lógica subjacente não é nova. Desde a Doutrina Monroe e o Corolário Roosevelt, a política dos EUA na região busca resguardar interesses estratégicos, conter a atuação de outras potências e calibrar o nível de autonomia dos países da região.
No início de dezembro, Trump elevou o tom ao afirmar que nações envolvidas na produção ou venda de drogas para o mercado norte-americano poderão ser alvo de ataques militares. A declaração escalou as ameaças do republicano sob o argumento de combater o “narcoterrorismo”. “Qualquer um que fabrique isso [drogas] e venda para o nosso país está sujeito a ataques. Não apenas a Venezuela”, disse.
A ameaça foi cumprida em 3 de janeiro de 2025, quando os EUA bombardearam a Venezuela e capturaram o presidente do país, Nicolás Maduro, junto da esposa, Cilia Flores. Os dois foram indiciados por uma Corte localizada em Nova York, onde devem ser julgados por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas — acusações que ainda não possuem provas concretas.
A retórica de confronto acompanha um aumento expressivo da presença militar norte-americana. A missão no Caribe — conduzida sob a justificativa de reprimir cartéis — conta com cerca de 15 mil militares, além de aeronaves de combate e navios de guerra, incluindo o porta-aviões USS Gerald Ford, o maior do mundo.
Desde setembro, as Forças Armadas dos EUA destruíram mais de 24 embarcações classificadas como ligadas ao tráfico. O número de mortos durante os bombardeios já ultrapassou a casa dos 100. Provas sobre a ligação entre os barcos e o tráfico internacional, contudo, ainda não foram divulgadas

