A saúde pública em Alagoas sofre um duro golpe com a suspensão das cirurgias de alta complexidade no Hospital Carvalho Beltrão, em Coruripe. A paralisação, confirmada pela Cooperativa de Neurocirurgiões de Alagoas (Coopneuro-AL), é motivada por meses de atrasos nos repasses financeiros por parte do Governo do Estado, o que tornou inviável a manutenção das equipes e dos atendimentos pelo SUS.
O hospital é uma unidade de referência estadual, sendo fundamental para urgências neurocirúrgicas, cirurgias de coluna e procedimentos delicados, como a remoção de tumores cerebrais. De acordo com a Coopneuro-AL, o cenário é crítico: há profissionais atuando em plantões de 24 horas sem receber salários desde junho, enquanto o cronograma de cirurgias eletivas já sofria adiamentos constantes desde o ano de 2025.
A entidade alerta que a falta de pagamento compromete diretamente a segurança dos pacientes, uma vez que a ausência desses especialistas sobrecarrega outras unidades de saúde e gera filas de espera perigosas para quem necessita de intervenções cerebrais ou na coluna. A interrupção do serviço em Coruripe afeta não apenas a região sul, mas todo o fluxo de regulação do estado, que depende do Carvalho Beltrão para desafogar os grandes hospitais da capital.
Até o momento, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) não apresentou um cronograma oficial para a regularização dos débitos. Enquanto o impasse financeiro entre o governo e a cooperativa persiste, pacientes que aguardam por cirurgias vitais enfrentam a incerteza e o agravamento de seus quadros clínicos, expondo as fragilidades na gestão da alta complexidade em Alagoas.

