O setor canavieiro, a maior força econômica da iniciativa privada em Alagoas, atravessa uma das crises mais severas das últimas décadas, mas segue praticamente ignorado por parlamentares e pelo Governo do Estado. A queda expressiva no preço do ATR, a redução na produtividade, o recuo no valor do açúcar e os impactos climáticos criaram uma “tempestade perfeita”, afetando gravemente mais de 5 mil pequenos fornecedores, segundo Edgar Filho, presidente da Asplana (Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas).
Apesar do peso da cana (cerca de 10% do PIB alagoano), a crise não entrou na agenda prioritária da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) nem das Câmaras Municipais. O contraste com Pernambuco é evidente: a ALEPE realizou audiência pública, discutiu propostas de crédito e se mobilizou junto ao governo estadual.
Em Alagoas, a mobilização tem sido encabeçada pelo presidente da Asplana, Edgar Filho, que alerta para a ameaça a mais de 60 mil empregos diretos durante a safra. Edgar já se reuniu com o secretário de Agricultura, Marcelo Melo, e aguarda uma audiência com o governador Paulo Dantas para discutir ações como concessão de crédito presumido e fornecimento de adubo.
Medida Emergencial em Brasília
Para evitar o colapso, a Asplana se uniu a entidades nacionais na defesa de uma subvenção econômica de R$ 12 por tonelada de cana para pequenos fornecedores. A proposta foi apresentada pelo senador Efraim Filho (PB) como emenda à Medida Provisória 1923/2025 e conta com o apoio do senador Fernando Farias (AL). Edgar Filho classificou a subvenção como indispensável para garantir a continuidade da atividade e manter os empregos no Nordeste.

