O comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tenente-coronel Marcelo Corbage, afirmou em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que os confrontos que resultaram em 121 mortes na megaoperação de 28 de outubro nos complexos do Alemão e da Penha foram resultado de uma emboscada armada pelo Comando Vermelho (CV).
Segundo Corbage, a análise de imagens aéreas do Bope mostra que grupos armados do CV se deslocaram de forma organizada para a área de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia, utilizando equipamentos de camuflagem e formação tática militar.
“A intenção era preparar uma armadilha”, disse o oficial. Ele destacou que os traficantes já estavam instalados em estruturas fortificadas (bunkers) antes da chegada das equipes, o que contradiz a versão inicial do governo.
O depoimento, enviado ao Supremo Tribunal Federal, indica que a operação mudou de rumo após policiais civis serem atingidos. Corbage afirmou que a ação “deixou de ser uma operação para cumprimento de mandados e se tornou uma operação de resgate”.
O comandante relatou que o CV agiu de forma inédita, resistiu e sustentou o fogo, comportamento incomum. “A agressividade demonstrada fugiu a todos os padrões. Eles adotaram uma estratégia que nunca tínhamos visto”, disse. A versão inicial do governo e da PM era que o “Muro do Bope” havia cercado a mata para evitar fugas.

