Uma disputa interna acirrada marca os dias que antecedem a eleição para o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Alagoas. Além da corrida eleitoral, o partido enfrenta questionamentos sobre a gestão financeira e a transparência na aplicação de recursos do fundo partidário.
Documentos da Justiça Eleitoral apontam situações irregulares relacionadas ao uso dos recursos públicos destinados ao partido. Entre as informações analisadas estão transferências bancárias diretas para contas pessoais de integrantes da direção estadual, incluindo o presidente Ricardo Barbosa, secretários estaduais e membros da executiva.
De acordo com os relatórios, também foram registradas contratações de serviços sem comprovação de execução, além de repasses de valores a empresas ligadas a familiares de dirigentes partidários. Em um dos casos, o advogado Guilherme Barbosa, filho do presidente Ricardo Barbosa, recebeu pagamentos mesmo durante o período em que atuava como estagiário, sem comprovação formal de vínculo contratual. Ainda segundo os documentos, apenas no último ano, o escritório dele recebeu mais de meio milhão de reais.
Outro ponto levantado é o pagamento de serviços antecipados sem a efetiva prestação, o que gerou um prejuízo de aproximadamente R$ 35 mil aos cofres partidários. Além disso, o relatório da Justiça Eleitoral destaca transferências a integrantes da gestão estadual, como o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas, Júnior César, cuja empresa teria recebido mais de R$ 500 mil.
Durante a apuração, a reportagem esteve na sede do partido, onde foi recebida pelo secretário adjunto de organização, Carlos Domarcos da Silva, que negou a existência de investigações federais no local. No entanto, relatos de integrantes do partido e movimentações na sede foram registrados em maio, gerando rumores sobre operações da Polícia Federal.
Ainda segundo as investigações, o tesoureiro do partido, Mário Bispo, também é citado por ter contratado a própria empresa de pesquisa para prestação de serviços ao partido. No último ciclo eleitoral, as despesas com o instituto superaram R$ 300 mil. Questionado, o tesoureiro alegou que os valores cobrados seguem a média de mercado e atribuiu falhas na prestação de contas ao antigo escritório de contabilidade.
O Ministério Público Federal já encaminhou o caso à promotoria eleitoral, que irá apurar possíveis crimes relacionados ao uso do fundo partidário e à contratação de familiares de dirigentes. Os responsáveis citados, incluindo o presidente Ricardo Barbosa e outros integrantes da direção estadual, não se manifestaram.
Procurado, o Diretório Nacional do PT informou que eventuais sanções internas só podem ser aplicadas mediante provocação formal ao órgão de ética partidária.
As investigações seguem em curso, com foco no rastreamento dos repasses financeiros e na análise das prestações de contas do partido em Alagoas.

