Ex-presidente compartilha imagens ao lado de líderes conservadores em meio à ofensiva militar dos EUA; gesto é visto como alinhamento ideológico e provoca críticas do governo Lula
Horas após os Estados Unidos anunciarem um ataque a instalações nucleares no Irã, Jair Bolsonaro (PL) usou as redes sociais para reafirmar sua proximidade com figuras da extrema-direita global. No domingo (22), o ex-presidente publicou fotos ao lado de Donald Trump e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em um gesto interpretado por aliados e críticos como um claro apoio à ação militar liderada por Washington.
A publicação ocorre no momento em que cresce a tensão no Oriente Médio, após o ex-presidente americano afirmar, no sábado (21), que as forças armadas dos EUA conduziram um “ataque muito bem-sucedido” contra locais estratégicos no Irã — entre eles, as instalações de Fordow, Natanz e Isfahan.
A escolha de Bolsonaro em destacar sua relação com Trump e Netanyahu no contexto do ataque levantou questionamentos sobre sua intenção política. Durante seu mandato, ele já havia demonstrado forte alinhamento com ambos os líderes, chegando a chamar Netanyahu de “irmão” durante uma visita a Israel em 2019, quando ainda completava os primeiros 100 dias de governo.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu à publicação com duras críticas. Para ela, Bolsonaro tenta capitalizar conflitos internacionais em benefício próprio:
“Seu apoio à dupla de extrema-direita Trump-Netanyahu, nas redes sociais, só confirma que é um sujeito servil a interesses externos”, escreveu Gleisi no X (antigo Twitter).
A ministra também afirmou que a publicação do ex-presidente serve como uma tentativa velada de provocar ou justificar uma “intervenção estrangeira no Brasil” diante dos processos que Bolsonaro enfrenta no Supremo Tribunal Federal (STF).
Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), deputado federal licenciado e filho do ex-presidente, também comentou os ataques. Em publicação no Instagram, ele afirmou que Trump buscou negociar antes da ofensiva militar e defendeu a postura combativa:
“Paz não se conquista com ingenuidade, pacifismo acima de todas as consequências ou desarmamento. Melhor modelo é o do secular império romano: ‘si vis pacem, para bellum’ (se quer paz, prepare-se para a guerra)”, escreveu.
A assessoria de Bolsonaro ainda não comentou oficialmente as declarações de Gleisi. A publicação, no entanto, reforça o discurso de aproximação do ex-presidente com a direita internacional — em um momento em que o cenário político brasileiro se prepara para novas disputas e julgamentos decisivos para o futuro do ex-chefe do Executivo.

