O pré-candidato à Assembleia Legislativa de Alagoas Francisco Sales (PSDB) classificou, nesta quinta-feira (18), como “revoltantes” as informações divulgadas pelo UOL que apontam que a Braskem teria conhecimento, há mais de três décadas, de indícios e alertas relacionados ao afundamento do solo em bairros de Maceió.
Segundo a reportagem, documentos citados pelo Ministério Público Federal indicariam que a empresa já possuía informações técnicas sobre riscos associados à exploração de sal-gema desde o fim da década de 1980. Ainda de acordo com a publicação, esses dados teriam continuado surgindo ao longo dos anos seguintes, inclusive em períodos anteriores ao agravamento da crise que resultou na evacuação de milhares de famílias.
Para Francisco Sales, caso essas informações sejam confirmadas pela Justiça, o caso assume uma gravidade ainda maior do que a já conhecida tragédia urbana que atingiu Maceió.
“É revoltante imaginar que uma empresa pudesse ter conhecimento de riscos dessa magnitude por tanto tempo e que essas informações não tivessem chegado de forma clara à sociedade e aos órgãos responsáveis. Se isso for comprovado, estaremos diante de um dos episódios mais graves da história de Alagoas”, afirmou.
Sales destacou que as revelações divulgadas reforçam as acusações apresentadas pelo Ministério Público Federal, cuja denúncia foi recebida pela Justiça Federal, tornando a Braskem e ex-dirigentes réus em ação penal relacionada ao afundamento dos bairros.
“Se ficar comprovado que havia conhecimento prévio dos riscos, que a empresa sabia das consequências de sua atividade, sabia dos prejuízos que poderiam ser causados às famílias e, ainda assim, continuou atuando sem informar adequadamente a sociedade e os órgãos responsáveis, a Justiça precisará levar em consideração a discussão sobre dolo, sobre a consciência dos riscos e das consequências dos próprios atos. Isso muda completamente a dimensão desse caso”, declarou.
O pré-candidato defendeu que, caso as acusações sejam confirmadas ao final do processo, os acordos firmados com os moradores atingidos devem ser revistos e complementados.
“Se essas denúncias forem confirmadas, as indenizações pagas até agora precisam ser reavaliadas. Na prática, o que houve foi a compra de imóveis e a retirada das famílias das áreas atingidas. Mas ninguém compra a história de vida de uma pessoa, ninguém compra a memória afetiva de uma comunidade inteira, ninguém compra décadas de convivência construídas em um bairro. Se ficar comprovado que havia conhecimento dos riscos e eventual ocultação dessas informações durante décadas, as vítimas podem ter direito a novas indenizações e reparações adicionais”, afirmou.
“Cada nova revelação torna esse caso ainda mais grave. O povo de Maceió merece conhecer toda a verdade, e quem eventualmente causou ou escondeu danos dessa magnitude precisa responder por seus atos dentro da lei”, concluiu Francisco Sales.

